Temperamento: o que é e como lidar com as singularidades do seu filho

Temperamento: o que é e como lidar com as singularidades do seu filho

Quando o bebê começa a se tornar mais independente e a interagir com outras pessoas, sua personalidade fica mais evidente. Alguns são mais quietinhos, enquanto outros são expansivos. Há, ainda, aqueles que surpreendem os pais ao dizer coisas inesperadas, como uma expressão que aprenderam na escola ou ouvindo música.

A forma como interagimos com o mundo é nomeada  “temperamento” pelo senso comum. Podemos dizer que temos o temperamento explosivo, reservado, sociável e assim por diante. Mas será que essas características nascem conosco? Quando começamos a notá-las no bebê?

“Eu não sei onde o meu filho aprendeu isso”

De acordo com a psicanalista Isabel do Rêgo Duarte, coordenadora do Espaço Psi Infantil, a expressão “temperamento” é, na verdade, uma maneira de tentar nomear as características próprias e singulares do pequeno. Muitas vezes, ainda durante a gestação, os pais podem classificar o comportamento do filho. Se ele se mexe muito na barriga da mãe, por exemplo, pode ser considerado “agitado”. Se é bem quietinho, pode ser chamado de “dorminhoco”.

No entanto, quando a criança começa a dizer as primeiras palavras e a se comunicar melhor, suas singularidades ficam mais evidentes. Geralmente entre o primeiro e segundo ano de idade, passa a se enxergar como um sujeito independente e com vontades próprias. Aos pouquinhos, entra na fase do “não”, manifestando seus desejos verbalmente ou por gestos.

Mas o que determina esse “temperamento” da criança? Será algo próprio, que nasceu com ela? Ou será que ela passou a adotar certas condutas de acordo com as próprias classificações construídas pelos adultos ao seu redor? Segundo Isabel, não há resposta. Porém, entender e acolher tais singularidades é importante — principalmente quando o pequeno começa a conviver com outras pessoas.

Ao frequentar a escolinha, brincar com outras crianças ou ficar com a babá, ele aprenderá coisas novas e irá surpreender os pais. “Eu não sei onde meu filho aprendeu isso”, por exemplo, é uma frase comum entre os pais de bebês que estão nessa fase. Para Isabel, o grande segredo para lidar bem com tantas novidades é entender que o filho é um sujeito independente, com atitudes singulares e cujo aprendizado é impossível de se rastrear.

“Na melhor das hipóteses os pais vão adotar uma postura de acolhimento e mostrar interesse pela criança. É importante se deixar surpreender e curtir as surpresas que vão surgindo, tanto para o bem quanto para o mal”, afirma.

Acolhimento, o melhor caminho

Quando o comportamento da criança é incômodo ou preocupante, como um excesso de timidez ou de agressividade, os pais podem ficar nervosos. Mas segundo Juliana, não há temperamento “bom” ou “mau”. Por outro lado, existem as consequências dele, que podem ajudar ou atrapalhar a vida da criança.

“Quando uma característica é muito incômoda para a família e atrapalha o convívio, pode-se buscar ajuda. Geralmente, os principais sinais surgem na relação da criança com o outro”, explica. “Mas não há um tipo de comportamento ruim, e sim a possibilidade de acolhê-lo ou não”, completa.

Quando a maneira de agir da criança é muito difícil para os pais, deve-se procurar ajudar para aliviar certa rigidez de temperamento que acabou se cristalizando, como um comportamento muito agressivo. “No final das contas, isso não vai mudar. Mas a criança terá mais facilidade para se relacionar”, finaliza Juliana.

Cada criança é única, comporta-se à sua própria maneira e nem sempre suas atitudes irão agradar. Mas tudo bem! Permita que seu filho te surpreenda e deixe as culpas de lado. Com acolhimento e compreensão, sua relação com o pequeno será, sem dúvidas, mais harmoniosa.