Programa Mãe Coruja Pernambucana reduz a mortalidade infantil

Programa Mãe Coruja Pernambucana reduz a mortalidade infantil

A mortalidade infantil é um problema de saúde pública. Mas melhorar o atendimento em hospitais e investir em mais profissionais preparados não é suficiente para diminuir as taxas. O Programa Mãe Coruja Pernambucana, implementado em 2007 no Estado nordestino, trabalha há 10 anos em três frentes: saúde, educação e desenvolvimento social. O projeto já reduziu em mais de 20% o número de mortes na primeira infância.

Combate à mortalidade infantil

Segundo Virgínia Holanda, diretora do programa, o Mãe Coruja surgiu diante das altas taxas de mortalidade infantil no estado de Pernambuco. Em municípios mais distantes da capital, próximos da mata e do sertão, os altos índices eram ainda maiores. Em média, a cada 1.000 nascidos vivos, 20 morriam. Hoje, o número caiu para 15,8 em cada 1.000.

O programa também tem foco na mortalidade materna, que apresentou redução de 79,6 para 71,7 a cada 100 mil mulheres entre 2007 e 2015. Hoje, são mais de 175 mil mulheres cadastradas e 135 mil crianças em acompanhamento pelo Mãe Coruja, espalhadas por 103 municípios.  

Atenção integral

Para combater a mortalidade infantil, o programa trabalha com a atenção integral à mãe e à criança antes e depois do nascimento do bebê, garantindo um desenvolvimento harmonioso nos primeiros anos de vida.

“Entendemos a primeira infância desde a gestação e incentivamos o início precoce do pré-natal”, diz Virgínia.  “Quando a mãe cumpre sete consultas ou mais, recebe o kit do bebê (vestuário e higienização), geralmente usado quando vai para a maternidade”, completa. Além dos acessórios, o Mãe Coruja distribui alimentos como o leite para gestantes, puérperas e crianças inscritas.

Acompanhar a saúde física da mulher e do bebê não é a única preocupação durante a gestação. É preciso prepará-la para a chegada da criança em diversos campos, como emocional e monetário. “O programa trabalha com 11 secretarias que desenvolvem atividades específicas. Há os círculos de educação e cultura, onde se discute junto às mulheres questões da criança, mulher, família e território”, explica Virgínia. “Empodera-se a mulher para discutir temas em um currículo definido junto à Secretaria de Educação”, completa.

O Mãe Coruja também procura garantir que todos os bebês nascidos deixem a maternidade com o registro civil disponibilizado pelo programa “Minha Certidão”. Além disso, há ações específicas de aleitamento materno, imunização e planejamento familiar. Por fim, os integrantes do programa participam de ações de cultura, turismo, esporte, lazer e qualificação profissional.

O empoderamento econômico é parte importante do projeto. A gestante é incentivada a continuar os estudos caso os tenha interrompido ou sequer começado. O objetivo é permitir que tenha condições econômicas suficientes para garantir os cuidados com o filho. Dentro do programa, ela também pode fazer cursos de geração de renda alternativa, como oficinas de artesanato, decoração de festas infantis, preparação de bolos e outros alimentos.

Qualquer gestante residente em um dos 103 municípios atendidos pode se cadastrar no Mãe Coruja. Após o nascimento, a criança é acompanhada pelo programa até os cinco anos de idade.