Por que é tão importante brincar com a criança

Toda criança tem direito de brincar. É o que diz o sétimo dos dez princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada em 1959 pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).  Assim como a educação, a alimentação e a moradia, o “lazer infantil”, como é descrita a brincadeira no documento, é igualmente importante e fundamental para o desenvolvimento cognitivo, social e intelectual do pequeno.

De acordo com estudos desenvolvidos na área, o ato de brincar possui três grandes metas: o prazer, o desenvolvimento das expressões e dos sentimentos, e a aprendizagem. Sim, é verdade, é brincando que se aprende — a conviver, a se organizar (no momento de guardar os brinquedos), a se colocar no mundo.

Para Daniela Gregori, pós-graduada em psicopedagogia , brincar também estimula as formas de comunicação do bebê e o ato deve ser feito e incentivado desde os primeiros dias de vida. Até porque o corpo do bebê é o seu primeiro grande brinquedo, e certamente, o mais divertido. “É por meio da brincadeira que as crianças reproduzem as formas do seu cotidiano. São reflexos e reflexões do que está presente no dia a dia dela. É com as brincadeiras que se estabelece maior autonomia.”

brincar

A especialista afirma que não existe um intervalo de tempo estipulado para que a criança brinque, inclusive, quanto maior for, melhor. Outro aspecto fundamental, acrescenta, é o ambiente em que esta criança está inserida: quanto mais estímulos ela tiver, como cores e possibilidades de diversão, maior será a sua desenvoltura. “Pequenos com menos oportunidades de lazer, provavelmente, terão mais dificuldades e restrições quanto ao desenvolvimento cognitivo”, conclui.

Além de mais esperta, a criança que brinca também desenvolve melhor a sua inteligência emocional. No início, ainda bebezinho, isso se reflete no estabelecimento de vínculos entre os pais e a criança. Quando crescem um pouco, os  vínculos estabelecidos durante as atividades de lazer são quase tão importantes quanto a brincadeira em si: por meio deles é que são estabelecidas as noções básicas de respeito e convivência.

Por isso, é importante que, mesmo brincando sozinhas, as crianças sempre estejam em contato com outras, que podem ter ou não a mesma idade. “Quanto mais cedo as crianças tenham contato umas com as outras, mais rica será a construção do seu repertório de interação social, porque é desta forma que nos constituímos como sujeitos e deixamos aflorar traços da nossa personalidade, através do contato com o outro”, explica Daniela.

É por meio das brincadeiras que os pais e responsáveis são capazes de entender o mundo das crianças, como é a coordenação motora, se falam muito ou não, se são introspectivas ou escandalosas, como elas constroem e organizam o mundo e seus valores, suas preocupações, problemas e desejos. Por isso, para se aproximar e compreender esse universo, o melhor é entrar no clima da brincadeira e respeitar as regras, costumes e manias da criança.

“Nestes primeiros anos de vida, a criança aprende numa velocidade assustadora. Pode parecer que não, mas se compararmos a capacidade de desenvolvimento cognitivo e motor de um bebê com a de um adulto, veremos que o pequeno aprendeu, em meses, muito mais do que fomos capazes de absorver em dez anos. Por isso a importância do estímulo: quanto mais for oferecido à criança, maior a sua capacidade de absorção”, finaliza a pedagoga.

Faixas etárias e os jogos que fazem parte da infância

Da primeira brincadeira, ainda na maternidade, até que a criança chegue aos seis anos de idade, são inúmeras as brincadeiras que, com o passar do tempo, vão ficando mais elaboradas. Grande parte delas pode ser categorizada de acordo com a intenção e com as partes do corpo e mente envolvidas:

Jogos do exercício do pensamento: começam ainda antes de a criança completar dois aninhos, com o surgimento das primeiras palavras. Num primeiro momento, as palavras vêm sem coerência, e mais tardiamente o tagarela se divertirá formando sentenças simples e apresentando ideias. Como tudo o que aprendemos é fruto da reprodução do que já vimos, falar com a criança é uma excelente forma de estimulá-la.

Jogos de exercício são aqueles em que o pequeno se movimenta apenas pelo simples prazer de sentir seu corpinho no espaço e também são recorrentes durante os primeiros anos de vida. O indicado é que o adulto movimente-se como ele, eleve seus bracinhos, brinque com suas pernas. Cada criança já tem sua própria personalidade, alguns podem gostar mais e outros menos, mas essa descoberta só virá a partir da experimentação.

Jogos simbólicos: mais comuns a partir dos três anos de idade, quando as brincadeiras de faz de conta habitam o mundo lúdico e deliciosamente divertido das crianças. É por meio deles que os pequenos constroem seu imaginário infantil. Superimportantes para o desenvolvimento da criatividade, é fundamental que os estímulos sejam feitos com o uso  de “situações-problema”, com perguntas, descrição de lugares como castelos etc.

Jogos de construção, conforme o próprio nome remete, os pequenos começam a formar suas próprias noções de realidade e do cotidiano. É por meio da observação e posteriormente da imitação que são construídas e desconstruídas noções do mundo particular e coletivo. Nos jogos de construção, a criança monta prédios, casas, castelos, torres e outros. Neste momento, em que há o domínio da linguagem, uma conversa é sempre uma boa pedida para estimular a criança. É a partir dos cinco ou seis anos que estes jogos começam a se tornar mais elaborados.

Bibliografia:

“A criança e o brincar” – Universidade Rural do Rio de Janeiro.

“Tipos de jogos que fazem parte da infância” – Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

“O desenvolvimento motor normal da criança de 0 à 1 ano: orientações para pais e cuidadores” –  Fundação Oswaldo Aranha.