Comunicação não verbal e interação com o bebê: como desenvolver a linguagem - Primeiros 1000 Dias

Comunicação não verbal e interação com o bebê: como desenvolver a linguagem

O bebê de um ano de idade já fala suas primeiras palavrinhas. Os pais, então, se preparam para estimular a comunicação e enriquecer o vocabulário do filho. Mas, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, conversar com os pequenos não é a única forma de desenvolver a linguagem.

Ao apontar um livro e dizer: “Vou pegar um livro”, a associação entre a ação e a palavra ajudaria a criança a memorizar o som e o que é “livro”, relaciona a pesquisa.  

A autora principal do estudo, Erica Cartmill, argumenta que, como o vocabulário pré-escolar é um dos principais indicadores do sucesso escolar subsequente, é importante que os pais tenham conhecimento dos múltiplos fatores envolvidos no desenvolvimento da linguagem: além do estímulo não-verbal, a fala também depende do bom funcionamento dos sistemas neurológico, motor e psicológico.  

Quando a linguagem começa a se desenvolver

A psicóloga, pedagoga e especialista em primeira infância Maria Guimarães Drummond Gruppi explica que a audição é o primeiro sentido que se desenvolve na criança, ainda na vida intrauterina. Desde tal fase, o bebê escuta a voz da mãe e começa a criar um vínculo. Após o nascimento, comunica-se por meio do choro. A partir dos três meses de idade, começa a emitir sons e a se comunicar com os pais de outras formas, como por vocalizações.  

Conversar com a criança é, na opinião da especialista, a melhor forma de estimular o desenvolvimento da linguagem. Ler histórias e cantar canções também é muito importante. Além disso, pontua que é preciso interagir com o bebê de forma natural, inclusive demonstrando emoções.  “A comunicação é um conjunto, você tem que falar, olhar e ter uma intenção”, explica Maria.

Portanto, quando os pais falam que estão com vontade de tomar sorvete, por exemplo, devem demonstrar que estão felizes. Quando estão chateados ou bravos, também devem permitir que a entonação ou as expressão faciais acompanhem sua fala. Assim, o bebê aprenderá a dar sentido para o discurso e a entender o sentido da linguagem.

A interação é mais efetiva

Na opinião de Maria, o que é realmente efetivo em termos de desenvolvimento de linguagem é proporcionar a interação e a interlocução com a criança. Isso significa que ela deve estar inserida em um ambiente onde haja diálogos e é preciso conversar de verdade com ela. Ou seja: nada de “interagir” com o bebê enquanto checa o celular ou trabalha no computador.  

“Os pais têm a ilusão de que levar as crianças para todo lugar, como o supermercado ou o shopping, faz com que estejam juntos. Mas se a criança está brincando sozinha em um canto enquanto o pai faz outra tarefa, os dois não estão realmente juntos”, afirma. “Para você estar com a criança, deve abrir mão de tudo, de todas as atividades e do envolvimento com o computador ou o celular”, reforça.

Também é importante que o pequeno interaja com outras pessoas, como cuidadores e bebês, como na escolinha. Brincar, inclusive, é uma ótima maneira de desenvolver a linguagem – e o ideal é fazer isso entre crianças.  

Bibliografia:  Universidade de Chicago (Giving children non-verbal clues about words boosts vocabularies) ,Erica A. et al – “Quality of early parent input predicts child vocabulary 3 years later”, PNAS July 9, 2013. 110 (28) 11278-11283