Colo nunca é demais: bebês menos ansiosos e emocionalmente saudáveis - Primeiros 1000 Dias

Colo nunca é demais: bebês menos ansiosos e emocionalmente saudáveis

O bebê passa cerca de 40 semanas protegido pelo útero confortável e quentinho. Receber colo de mãe após o nascimento é, portanto, natural. A prática pode, inclusive, trazer benefícios a longo prazo,  como a redução da ansiedade e do estresse.

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Foi o que concluiu um estudo realizado na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. Os pesquisadores analisaram questionários respondidos por 606 adultos, onde contavam como foram suas infâncias e como são suas vidas hoje. O objetivo era entender se receber mais carinho dos pais tinha algum impacto positivo na saúde mental no futuro.

O estudo concluiu que sim, receber mais carinho e afeto dos pais durante a infância permite que, no futuro, as crianças sejam mais realizadas e felizes. Os adultos que vivenciaram essas relações também apresentaram melhores habilidades sociais e menos riscos de apresentar distúrbios de saúde mental.

Receber bastante colo dos pais é um dos comportamentos positivos listados. A psicóloga e psicoterapeuta Natascha Gannuny Muller explica que o colo é uma continuação da vida uterina. “As vantagens do colo são o afeto, segurança e tranquilidade, aumentando assim o vínculo afetivo [com os pais]”, afirma. “No consultório, vejo que a falta de vínculo causa um problema sério em adolescentes, que é a depressão”, completa.

Segundo a especialista, pesquisas mostram que os bebês que recebem colo demonstram melhor imunidade, devido à diminuição do estresse, e maior desenvolvimento cerebral, pois o pequeno que recebe colo geralmente é mais estimulado.

Além disso, colo de menos é prejudicial pois pode provocar apatia, insegurança, nervosismo, ansiedade e tristeza. “Bebês apáticos e que aprenderam a ‘pedir’ afeto e segurança dão menos trabalho em um primeiro momento. Mas são esses bebês que vão precisar de um olhar mais cuidadoso em um futuro próximo. O normal é que ele chore por atenção e queira colo, carinho e afeto”, destaca.

Dar colo não é mimar

Deixar o bebê chorando para evitar mimá-lo não é boa prática, segundo Natascha. “Negar o colo é negativo. Claro que às vezes o bebê precisa esperar um pouco, mas o hábito de não pegá-lo é ruim, pois causa uma frustração com a qual o bebê ainda não está pronto para lidar, principalmente nos primeiros três meses”, explica.

A especialista diz que há uma diferença entre dar amor, afeto e segurança e estabelecer limites. O bebê de um ano, por exemplo, precisa ouvir “não” para que não coloque o dedo na tomada ou tome outras atitudes perigosas, por exemplo. Mas não se deve confundir a educação da criança com o carinho que ela merece.

Por outro lado, cuidar do bebê é trabalhoso e desgastante. Às vezes, os pais simplesmente estão cansados demais para atender o pequeno imediatamente. Quando isso ocorrer, respire profundamente por alguns momentos e tente se acalmar. “É preciso entender que o bebê chora pois essa é a única linguagem que ele tem. A forma de acalmá-lo é, portanto, colocá-lo no colo”, afirma.

Há diversas formas de tranquilizar o bebê e cada um tem suas preferências. Se estiver nervoso, por exemplo, coloque-o no colo e diga “shiii, shiii, shiii”, pois esse era o barulho que ele ouvia na barriga da mãe por causa dos vasos sanguíneos. Outra dica boa é cantar sempre a mesma música, desde a gestação. A música conhecida tenderá a acalmá-lo mais rápido.

Além de dar bastante colo, converse com o bebê para demonstrar seu carinho. Quando for dar banho, por exemplo, explique que está esquentando a água para que ele fique quentinho. Depois diga que vai lavar as mãozinhos, o rostinho e assim por diante.

“Um ambiente acolhedor, além de desenvolver os estímulos visuais e sensoriais mais rápido, aprimorando a sua cognição, ajuda sim no emocional do bebê. Melhora a auto estima, diminui a ansiedade e ajuda a criar vínculos. Dar colo só traz benefícios”, conclui Natascha.

Bibliografia: Darcia Narvaez. The Evolved Developmental Niche in Childhood: Relation to Adult Psychopathology and Morality. Applied Developmental Sciences.