Amamentação ao redor do mundo e fatores que a influenciam

Amamentação ao redor do mundo e fatores que a influenciam

Amamentação no mundo

Fatores econômicos, sociais e culturais influenciam as taxas de amamentação ao redor do mundo, consideradas baixas pela OMS
(Foto: iStock)

Toda mulher grávida deve decidir entre amamentar ou não o seu bebê. A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, recomenda o aleitamento exclusivo até os seis meses de idade e, a partir de então, o complementar até pelo menos dois anos. A prática só não é indicada em situações extremas que realmente a impossibilitem.

Porém, não são só condições extremas que dificultam a continuidade do aleitamento materno no mundo todo. Fatores culturais, sociais e econômicos são responsáveis pelas baixas taxas, que não ultrapassam os 41% levando em conta a média global de bebês exclusivamente amamentados até os seis meses de idade.

No caso do Brasil, a situação não é das melhores: em 2017, apenas 38,6% das crianças são exclusivamente amamentadas até os seis meses segundo a OMS. Segundo Clery Gallacci, pediatra neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana (São Paulo), a taxa de desmame até o terceiro mês também é alta, girando em torno de 60%. “Isso vem sendo trabalhado nas maternidades, mas em termos de políticas públicas o Brasil precisa melhorar muito”, diz. “Também falta acompanhamento médico para incentivar as mulheres a persistir”, completa.

O aleitamento materno no mundo

De acordo com um relatório divulgado pela Unicef, noventa e cinco por cento dos bebês são amamentados em algum momento de suas vidas. No entanto, essa taxa varia bastante entre os países ricos e pobres. Em países de baixa e média renda, apenas uma em 25 crianças nunca são amamentadas. Já nos de alta renda, os números são mais altos: um em cinco pequenos nunca recebem leite materno.

Embora a proporção de bebês que recebem ao menos algum leite materno seja alta em todos os países de baixa e média renda, o período de tempo durante o qual uma mãe continua a amamentar seu filho varia substancialmente pelo estado de riqueza da família. Entre os indivíduos mais pobres, quase dois terços das crianças são amamentados até os dois anos, conforme recomendado pelo UNICEF e pela OMS, em comparação a apenas 41% das famílias ricas.

Tal diferença é mais evidente nas regiões da África Ocidental e Central, onde 63% dos bebês de famílias mais pobres ainda recebem leite materno aos dois anos, contra apenas 26% no caso de indivíduos mais ricos. Na Europa Oriental e Ásia Central, por outro lado, a diferença é menor: vinte e três por cento entre as famílias mais ricas e 31% entre as mais pobres.

Portanto, o fator econômico não é o único a influenciar as taxas de amamentação. “O acompanhamento durante o parto, fatores culturais e a presença de uma educação continuada podem influenciar esses dados”, diz Clery.

Fatores que influenciam a amamentação

Segundo um estudo publicado em 2015, alguns dos principais fatores que afetam a adoção e continuidade da amamentação são educação, emprego, poder econômico, status conjugal, igualdade entre os gêneros, cumprimento do pré-natal e tipo de parto.

O relatório produzido pela UNICEF destaca o mesmo: muitos fatores contribuem para criar um ambiente positivo para a amamentação. A organização destaca políticas que garantem a licença parental e o direito de amamentar no local de trabalho, assim como a disponibilidade de informação para as mães em centros de saúde. Para que deem continuação ao aleitamento materno, mulheres precisam de apoio de todos os setores da sociedade: profissionais de saúde, colegas de trabalho, familiares, amigos e do seu companheiro.

Em países como Índia e Vietnã, governos foram bem sucedidos ao implementar políticas de apoio que garantem licença maternidade remunerada de seis meses. No Sri Lanka e Turcomenistão, a promoção de programas amigáveis em hospitais, cumprindo dez passos para o sucesso da amamentação, tem sido fundamental no aumento das taxas. Quase 90% das mulheres nessas duas nações nascem em hospitais considerados “amigos dos bebês”. Ambos têm taxas quase universais de amamentação.

Para Clery, a possibilidade de conciliar trabalho e amamentação é considerado um dos fatores principais de não continuidade da amamentação no Brasil. “Muitas vezes as mães retornam às atividades profissionais antes do período da licença maternidade”, afirma. Oferecer à mulher a possibilidade de cumprir a licença, assim como permitir que continue amamentando mesmo após o seu fim, é fundamental para a elevação dos dados no país.

Por fim, a especialista destaca, também, a importância de amamentar na primeira hora de vida. “Sabemos que o bebê que mama na primeira hora de vida costuma ter maior tempo de amamentação. Na América Latina, por exemplo, apenas 52% dos bebês mamam na primeira hora”, finaliza.